Crônicas da Cidade Perdida – Capítulo 30 – 5 Anos Depois…

(aventura narrada em 10/01/2009)

Depois de libertarem um grande mal sobre a vila de Kar-Roth, os aventureiros tomam uma difícil decisão.

A reconstrução da Vila de Kar-Roth deu muito trabalho aos aventureiros, pois a maior parte das casas foram destruída. Para piorar, havia muito mortos e as cerimônias fúnebres duraram quase 3 semanas, impedindo qualquer possibilidade de Tatoom fazer uma festa em homenagem a seu deus, esperando que com isso, caísse nas boas graças dele novamente, pois ele o havia abandonado. Afinal, ele ajudou a libertar um grande mal sobre aquelas pessoas inocentes, somente por sua cobiça e orgulho (mesmo que os habitantes não os culpassem).

Os clérigos de Naraya começaram a chegar depois da primeira semana, convocados pela clériga Aline. Com a ajuda deles, a vila de Kar-Roth finalmente começou a se recuperar. Com isso os aventureiros começaram a pensar em pegar a estrada, mas só foram embora depois de um mês, quando viram que sua ajuda não era mais necessária. Os aldeões se despediram calorosamente de seus salvadores (o velho Igyon não contou toda a história aos habitantes, para que não houvesse mais derramamento de sangue e para que os habitantes não se assustassem com a origem profana da vila; isso deveria acontecer devagar), pedindo que voltassem um dia.

Agora, os aventureiros se encontravam em uma encruzilhada. Sua última missão havia sido um fiasco. Eles ainda tinham muito o que aprender, mesmo sendo aventureiros experientes. Cada um deles então, decidiu partir, para aprimorar suas habilidades ou em busca do próprio destino.

Azonc voltou para sua cidade natal, Truenia, a quase 9000 km da capital, para encontrar seu antigo tutor: Gorias. Ele era o ferreiro mais conhecido do lugar e, em sua juventude, fez parte do exército real.

Gorias o ajudou a aprimorar suas habilidades de combate, treinando com ele todos os dias, depois que o trabalho na ferraria terminava. Além disso Azonc, com grande esforço, corrigiu seu jeito de falar, mesmo que ainda não tivesse um vocabulário tão grande. Ele achava isso necessário pois agora não tinha mais seu irmão para ajudá-lo quando a espada não resolvia um problema.

A notícia da morte de Vincento foi recebida com grande pesar pela população, pois a família Trueno era muito considerada por todos. Mesmo que ninguém acreditasse muito naquela história do mundo quase ter sido destruído (aparentemente a maior parte das pessoas não sabia de nada, só se lembravam de uma grande, fria e opressiva escuridão, que dissipou depois de alguns instantes, deixando um dia claro e belo), os bardos entoaram a história do mago, sobre como ele sempre se equilibrava na lâmina da espada de Atos (o senhor do Bem e do Mal, cuja lâmina separava a ambos) e como no final, se sacrificou em prol de um bem maior. Um festival foi feito em sua homenagem, repetindo-se todos os anos.

Quase 5 anos depois, quando já havia se estabelecido novamente em Truenia e refeito velhas amizades (inclusive com seus parentes que a tanto tempo não falava, por ser um dos poucos guerreiros da família), Azonc estava levando uma carga de ferraduras para uma cidade próxima, de nome Kyet. Depois de entregar a carga em um dos hotéis da cidade, ele foi até a taverna Chamado do Destino. Pediu uma cerveja e, depois de algum tempo, percebeu um pequeno grupo discutindo em um canto.

Cinco homens, atormentavam uma das garçonetes e conversavam sobre a família Trueno. A moça dizia que eles eram boa gente, pois haviam ajudado seus avós a muito tempo, quando eles não tinham nenhum lugar para morar. Os homens diziam que eles não passavam de um bando de bruxos e charlatões e que ela devia retirar o que disse, caso contrário, iriam fazer com que ela se arrependesse.

Azonc olhou para o taverneiro, mas ele balançou a cabeça e olhou para o chão envergonhado pois não podia fazer nada: aqueles cinco eram comerciantes influentes em Kyet e membros de uma organização criminosa conhecida como Mão Negra (cujos tentáculos se estendiam até Truenia). Ele só podia esperar que a moça concordasse com os homem e caso fosse necessário pagar um tributo a eles pelo insulto, para a vida da jovem ser poupada.

Azonc se levantou e foi até a mesa dos homens, apresentando-se como um Trueno. Eles o vaiaram e jogaram comida e uma caneca de cerveja em cima dele.

Apesar disso, Azonc não havia ficado irritado, pois durante os últimos anos ele aprendera a controlar sua raiva um pouco melhor, então ele só virou a mesa em cima dos cinco. Um deles, que parecia ser o mais valente, se levantou e puxou uma espada.

O homem não era muito habilidoso e Azonc não tinha intenção de matá-lo. Queria só desarmá-lo e humilhar ele em um justo combate corpo-a-corpo. Contudo, as vezes as jogadas do destino podem ser imprevisíveis: o homem levantou a espada acima de sua cabeça e quando tentou arremeter contra Azonc, perdeu o equilíbrio e caiu na ponta da espada do guerreiro (que não teve tempo de desviar). Aquela era a lâmina sangrenta que Azonc conseguira com os elfos celestes, e ela se banqueteou com o sangue do criminoso, trespassando seu corpo e o deixando sem vida.

A garçonete agradeceu a Azonc beijando-o na face e, enquanto o guerreiro se distraia com os encantos da moça, outro daqueles homens o atacou com uma faca, atingindo seu olho esquerdo de raspão e fugindo em seguida. O taverneiro (cujo nome era Mathias) e a garçonete (Naya, que era sua sobrinha) ajudaram Azonc com o ferimento e arrumaram transporte para ele voltar à Truenia, mas recomendaram que ele fugisse, pois havia feitos inimigos que o perseguiriam por toda a vida. Aqueles eram os irmãos Barzini: Meltec, Mharius, Jerec, Taric e Minios (este foi o que morreu), e agora exigiriam um pagamento de sangue do guerreiro pela morte do irmão.

Preocupado que tentassem fazer algo com sua família ou seu tutor, Azonc mandou uma carta a eles explicando o que aconteceu e partiu de Truenia. Ele só havia perdido um olho, não iria permitir que os criminoso tomassem algo mais que ele amava.

Com o pé na estrada ele pensava que só havia um lugar onde poderia conseguir alguma ajuda para seu novo problema: Naldínia. Lá poderia encontrar seus antigos companheiros e lutar com eles lado-a-lado contra seus novos inimigos.

Depois de mais de uma semana de viagem, chegou a cidade e encontrou Tatoom, no portão principal. Os dois se cumprimentaram calorosamente e foram procurar a elfa.

Tatoom se sentia muito culpado pelo ocorrido na vila de Kar-Roth, afinal era um paladino do deus da alegria; um guerreiro do bem e da ordem. Seus deus o havia punido retirando seus poderes e o anão sabia que o deus da alegria só voltaria a olhar por ele depois que fizesse algo de valor para se redimir. Aline, a clériga de Naraya, vendo sua aflição disse-lhe que tentasse encontrar seus ancestrais, pois talvez eles tivessem uma resposta.

O anão não tinha mais nenhuma família mas, como se um raio o atingisse, encontrou a resposta: tentaria encontrar os antigos mestre anões de que tanto ouvira falar nas histórias de sua infância. Eles eram descendentes dos sobreviventes dos lendários Reinos de Pedra dos anões.

Quando a Sombra de Terios destruiu suas cidades, os sobreviventes se espalharam pelo mundo, dando origem as atuais cidades de anões (eles nunca mais conseguiram construir um reino novamente, sendo vassalos de outros reis). Contudo, alguns se tornaram guardiões dos Livros de Mírias e transmitiam a seus descendentes as habilidades e a sabedoria de seus ancestrais. Eles se tornaram os guardiões que esperariam por um novo soberano, sábio e forte para liderar os anões e construir um novo Reino.

Partiu em uma longa jornada, guiado por mitos e boatos mas, teve seu esforço recompensado pois, depois de quase cinco anos perguntando em vilas e vasculhando ruínas, chegou ao Refúgio das Montanhas, a lendária morada dos sobreviventes dos Reinos de Pedra, no lado oposto das Muralhas de Tanis.

Ele foi bem recebido pelos habitantes. Eles viviam em uma impressionante cidade escavada na própria rocha da montanha. Cada um deles parecia ser mais duro e resistente do que qualquer anão que ele já encontrou e ao mesmo tempo eram bondosos e gentis. Sentiam falta dos tempos em que, nos Reinos de Pedra recebiam visitantes de várias raças e por isso, perguntavam a todo momento sobre como era o mundo fora do Refúgio. Tatoom lhes contou suas histórias e até tentou convencer alguns a irem com ele, se um dia fosse embora mas, mesmo os mais jovens eram duros e pacientes como a rocha da montanha e esperariam seu novo Rei ressurgir para liderá-los, mesmo que tivessem de esperar até o fim dos tempos.

Tatoom foi levado então até os três Mestres Anões: Roghan, Hylren e Saryus, que lhe permitiram fazer três perguntas.

Perguntou sobre a Arca e lhe foi dito que ela era o presente dos sobreviventes dos Reinos de Pedra para os anões que preferiram morar com os outros povos. Um símbolo de cura e união nos tempos sombrios e difíceis, mas disseram que ela ainda estava perdida nesta era.

Perguntou se ele poderia ser o prometido rei anão e eles disseram que ele talvez fosse, assim como vários líderes anões espalhados pelo mundo. Aquele que se tornará o Rei, deve provar seu valor e se for digno, liderará seu povo. Por isso não deveria ter a pressa ou a presunção de acreditar que uma profecia o tornaria o salvador de seu povo.

Perguntou então se Tatoom ainda estava zangado com ele, pois a tempos não recebia nenhuma mensagem de seus deus. Eles disseram que deveria olhar para as próprias mãos e ver todo o bem que elas fizeram em sua busca por eles. Ele já havia recuperado seus poderes e a benção de seu deus, só acreditava ainda ser culpado por um mal que já havia sido curado.

Mesmo que não tivesse conseguido obter respostas diretas dos Mestres Anões, Tatoom entendeu que sua busca havia terminado. Viveu alguns meses por lá até que decidiu que era hora de retomar sua busca pela Arca, e descobrir qual era seu destino. Se despediu de todos e agradeceu aos mestres, tomando o caminho de volta para Naldínia, onde talvez encontrasse seus antigos companheiros, que poderiam ajudá-lo em sua nova jornada.

Durante a viagem de volta, passou por várias cidades de anões e descobriu que uma Praga que só afetava os membros de sua raça, estava matando-os. Os velhos diziam que a única cura possível estava na arca (que segundo as lendas tinha poderes curativos), pois todos os magos e curandeiros falharam ao tentar entendê-la e curá-la.

Depois de meses de viagem, chegou a capital de Naldínia e, enquanto se identificava para o guarda do portão, escutou uma voz conhecida atrás deles: era Azonc. Eles se abraçaram calorosamente, e depois de se identificarem com o guarda do portão foram procurar pela elfa Kalinka.

Kalinka não sabia que fim havia levado sua família quando os dragões conquistaram a capital de Naldínia. Segundo as notícias trazidas pela clériga Aline os dragões estavam indo embora, sem nenhuma explicação ou motivo óbvio.

Um Conselho Regente havia sido formado para governar pois o Rei Naldo e seu filho haviam desaparecido. A única coisa que ela sabia sobre a vila de elfos era que muitos fora mortos durante a guerra e alguns haviam fugido, procurando seus antigos Reinos Ocultos.

A elfa retornou então com a clériga e alguns seguidores de Naraya para a capital. Ficaram amigas durante este período e quando chegaram na vila em que a elfa nasceu, Aline a ajudou com os sobreviventes. Para o alívio da elfa, descobriu que sua mãe e irmãos estavam vivos mas, seu pai desparecera durante a guerra, tentando alcançar o Reino Oculto dos elfos, para que eles ajudassem seus compatriotas. Não era a notícia que queria receber do pai (mesmo que tivesse seus desentendimentos com ele), mas pelo menos ele ainda poderia estar vivo.

Quando a situação na vila melhorou um pouco, deixou Aline ajudando os elfos e foi para a cidade. Muito havia sido destruído, mesmo o Forte da Floresta das Sombras estava seriamente danificado. Via-se morte e desespero por toda parte e o Conselho Regente só podia ajudar os sobreviventes de forma lenta e gradual, devido aos escassos recursos.

A maior diversão dos habitantes neste tempo era assistir aos traidores que haviam se aliado aos dragões serem enforcados na praça central da cidade. As execuções duraram meses e aos poucos, os magos exilados foram retornando. Isto deu novo ânimo para os habitantes.

Eles contavam histórias terríveis sobre uma prisão oculta, construída pelos dragões para contê-los: Drakhinar. Sobre monstros que os vigiavam e torturas indescritíveis feitas pelos Morthacs, servos fiéis dos Anciões dos Dragões.

Um dos magos que retornou de Drakhinar foi o arquimago do reino, Luxx. Estava muito debilitado e não se recuperou antes de um ano. Ficou em silêncio durante todo o tempo, ao contrário dos outros, que relatavam a experiência com uma expressão de terror em suas faces. Luxx parecia tranquilo, frio com uma pedra de gelo. Alguns dos presos de Drakhinar disseram que ele ficou em uma cela isolada e que era visitado quase diariamente pelos Morthacs e por dragões. Quando isso acontecia, gritos horríveis saíam de sua cela. Alguns disseram contudo, que mesmo com toda a tortura, ele descobriu o segredo da prisão. Mas eram só boatos.

Com a ajuda dos magos e a integração de Luxx ao Conselho Regente, depois de se recuperar, a reconstrução da cidade acelerou, tornando a magia muito respeitada (mais do que antes até) e aumentando o número de adeptos. Kalinka via tudo isso e pensava que apesar de tudo, as coisas estavam indo bem naquele último ano, desde que voltara de Kar-Roth. Mesmo não tendo notícias do pai, muitos elfos haviam sobrevivido.

Ela encontrou Locke também. Ele estava morando na cidade como um vendedor de poções. Kalinka queria entender isso e atormentava o dragão o tempo todo, mas ele só dizia que queria levar uma vida tranquila e que vender poções era o que ele poderia fazer sem arrumar problemas com a população.

Alguns dos habitantes sabiam que ele era um dragão e apesar do ódio que nutriam contra os terríveis lagartos, não se atreviam a atacá-lo. Os soldados do Conselho tentaram fazer com que ele fosse embora mas ele disse que ficaria, e até mesmo fez uma requisição formal a eles, pedindo pelo direito de ficar na cidade e se tornar uma vassalo do Rei de Naldínia.

Ele conseguiu a autorização e o perdão do Conselho pelo crime de traidor na guerra, por ter ajudado a lutar com os dragões no final (na verdade eles também não sabiam como executá-lo ou prendê-lo, então decidiram mantê-lo por perto para ficar de olho nele) e depois de algum tempo, ganhou um pouco de confiança da população, pois levava sua vida tranquilamente e sua poções eram sempre benéficas e úteis as pessoas.

Ele só mostrava um pouco de tristeza pois não poderia retornar mais a cidade dos dragões na Península da Serpente, lar ancestral de seu povo. Ele obteu o perdão dos humanos, mas era um traidor entre os seus, mesmo tendo tomado a decisão correta para salvá-los de seu Antigo Erro.

Locke tomou Kalinka como aprendiz (como havia prometido a deusa da magia) e a ajudou a aprimorar suas artes mágicas. A elfa também havia mudado muito, tornando-se mais séria. Tentou até mesmo algumas vezes dar em cima de Locke, mas ele sempre a ignorava como uma criança querendo atenção. Kalinka achou melhor então se mudar da casa do dragão, indo morar na Hospedaria Flecha de Fogo, com o salário que recebia por ajudar Locke na loja de poções.

Logo que Kalinka se mudou para a hospedaria, algo aconteceu a Naldínia: navios voadores fortemente armados começaram a chegar. Um homem com um manto branco saiu de um deles; ele se parecia com um mago, com certa idade, mas com o vigor da juventude. Kalinka o reconheceu na hora: era Yeth, o profeta das neves. Temendo pelo pior, a elfa o seguiu e o viu entrar no Palácio Real.

Horas depois, o conselho fez um pronunciamento: aquele mago era um dos habitantes da antiga e lendária cidade de Lemúria. Ele sobreviveu a catástrofe e junto com seu exército veio ajudar o povo necessitado de Naldínia. Yeth seria o quinto, e último membro do Conselho Regente, ajudando a todos com sua sabedoria.

Vários boatos surgiram de que o Conselho foi forçado a tomar esta decisão mas, o fato era que em seis meses, com os poderes e máquinas do exército de Lemúria, a cidade foi totalmente reconstruída, tornando-se mais bela do que antes e sem nenhum sinal da guerra que se abateu sobre ela.

O profeta também conseguiu conter os orcs que moravam na favela subterrânea. Eles ficaram muito agressivos devido ao poder bélico que adquiriram durante o domínio dos dragões e ameaçavam a todos. Mesmo Janus, que era o principal chefe criminoso na cidade, não tinha muito mais controle sobre eles.

Tudo o que se sabe, é que Yeth entrou sozinho nos subterrâneos e quando retornou, veio seguido de vários líderes tribais orcs que, com uma expressão de terror na face, imploravam por clemência, para se tornarem vassalos do Conselho. Um acordo de paz foi feito e os orcs foram integrados ao exército, principalmente como uma eficiente e mortal infantaria, extremamente fiel aos Generais de Naldínia.

A única coisa que Yeth pediu em troca, é que uma parte da cidade fosse murada para que ele e seu exército pudessem viver em paz, separado dos outros. Ele dizia que era por estarem em uma era que não compreendiam totalmente, assim evitaria-se conflitos culturais. Era estranho, mas como a ajuda dos Lemurianos foi essencial, o Conselho Regente acatou o pedido (mantendo sempre alguns espiões dentro dos muros da Cidade Lemuriana, como ficou conhecida).

Quanto a população, ela achava o exército de Lemúria estranho, pois ele era formado principalmente por um bando de humanoides pequenos, com expressões sérias no rosto. Inclusive, o braço direito do profeta Yeth era um dos pequenos, chamado Odin, e que parecia ser muito respeitado pelos outros, apesar de alguns perceberem uma expressão de desprezo da parte de Yeth quando conversava com ele. Algumas pessoas se lembravam desse mesmo Odin como um trambiqueiro e covarde nato, que tentava vender itens de procedência duvidosa em várias cidades do reino (e que inclusive trabalhara no Forte da Floresta das Sombras durante algum tempo, como arquivista) mas, ninguém tinha coragem de perguntar para ele.

Kalinka ficou preocupada, mas Yeth e Odin não pareciam se interessar por ela, pois não tentaram fazer nada, nem mesmo mandou soldados para a prenderem, ela então se preocupou em aprimorar sua magia e ajudar seus parentes. Além do mais, tudo estava muito pacífico, pois um acordo de paz havia sido feito com Dukhati. Valem, o Lorde da Guerra daquele reino, havia perdido muito de seu poder para os outros Lordes do Conselho dos Sete logo, outra guerra não começaria tão cedo.

No segundo ano em que estava em Naldínia, os elfos da pequena vila começaram a ficar agitados. Vários mercadores relataram ter encontrado na região do Vale do Lodo, um mago insano, de veste negras, perguntando pelo caminho para Naldínia. Ele perguntava sobre os elfos que lá viviam e neste momento, os mercadores assustados saíam correndo, por causa do ódio que podia ser visto no olhar dele. Os elfos acreditavam que o mago era o assassino de elfos, Slithen.

Quando parecia que a tragédia estava se aproximando, Arthemus, o pai de kalinka, retornou. Ele encontrou uma passagem segura para o Reino Oculto dos elfos, deixando a todos aliviados. Finalmente eles teriam como se proteger. Ao ver sua filha a abraçou e perguntou se já havia se casado com o poderoso guerreiro élfico que havia pedido sua mão em casamento anos atrás. Kalinka ficou furiosa e seu pai viu que não deveria se estender com este assunto.

Arthemus contou que os Senhores do Reino Oculto disseram que todos os elfos que procurassem asilo seriam bem-vindos, menos sua princesa que havia sido exilada no mundo humano. Ele descobriu que ainda haviam lordes élficos temendo que ela voltasse para recuperar o trono de seu verdadeiro pai, por isso sua vida ainda corria risco lá. Alguns dos lordes élficos fiéis ao antigo rei, disseram para Arthemus convencê-la a ficar entre os humanos, assim seus inimigos não se atreveriam a tentar matá-la.

Como o caminho até a passagem segura era longo e haviam muitos velhos e crianças, eles contrataram um ranger chamado Fletcher para ajudá-los. Ele conhecia muito das cidades no caminho e tinha muitos contatos que ajudariam a manter todos seguros.

Então eles conduziram os elfos até a passagem que ficava na floresta Melkot (conhecida pelos mais antigos como a floresta dos Sussurros), pois podia-se ouvir os espíritos por toda parte quando se entrava nela. Kalinka foi a única que não entrou, pois seu pai disse que os espíritos estavam zangados com ela e principalmente com um anão chamado Tatoom, por terem atacado a floresta a alguns anos (o que deixou a elfa brava, mas resignada). Arthemus queria ficar com a filha mas, depois de conversar com todos decidiu ir até o Reino Oculto e descobrir quem ainda queria matá-la por lá e assim um dia, ela talvez pudesse ir em paz para sua terra-natal.

Ela retornou com Fletcher para Naldínia e, no caminho a afeição entre os dois foi aumentando, tanto que depois de alguns meses casaram-se. Fletcher ensinou a ela algumas de suas habilidades de rastreio e de sobrevivência. Foi o primeiro homem com quem Kalinka se deitou e tudo parecia bem. Contudo, o gênio da elfa era mordaz. Brigava com o ranger constantemente por motivos banais, até que um dia ele simplesmente foi embora, deixando somente um arco composto para trás.

Kalinka ficou muito triste e mudou muito depois disso. Ela continuou a aprimorar sua magia até que, exatos cinco anos depois que saíra de Kar-Roth, enquanto comprava ingredientes para poções no mercado da cidade, viu duas figuras bem conhecidas dela: Tatoom e Azonc.

Os três se cumprimentaram e foram até a hospedaria onde a elfa estava morando. Eles tinham muito assunto para colocar em dia e várias das notícias deixaram a todos impressionados e, ao que tudo indicava, o destino os havia unido mais uma vez para partirem em uma nova jornada.
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