Crônicas da Cidade Perdida – Capítulo 36: A Cidade das Terras Vermelhas

(aventura narrada em 22/08/2010)

Após a morte do mago Vicento e a derrota do demonista Miguel, o guerreiro Azonc, a elfa Kalinka e o anão Tatoom foram capturados pelo exército de Naldínia. Com a ajuda de um antigo aliado, o General Hackbarth, eles fugiram em direção a pequena cidade de Carr-Rott, onde libertaram um grande mal devido a sua imprudência e ganância.

Cinco anos se passaram depois da tragédia, a guerra já terminara há muito tempo, e os aventureiros após viajarem pelo mundo em busca de redenção, se encontraram na taverna Flecha de Fogo, em Naldínia. Neste dia, descobriram que um antigo e poderoso dragão tornara-se vendedor de poções, um povo a muito esquecido retornara de seu exílio e o rei e seu filho haviam desaparecido.

Por volta desta época, boatos de um mago usando vestes negras e olhar ensandecido corriam todo o reino. Além disso, o dragão Locke fora misteriosamente executado por uma máquina de guerra do exército de Lemúria, e a energia liberada com sua morte foi usada em um poderoso ritual.

Kalinka suspeitava que fosse o mago Slithen e neste momento, o destino lhe ajudou duas vezes, pois seu pai retornara da busca pelo reino oculto dos elfos e levara seu povo para a segurança e mesmo que fosse aliado de Bartuc, senhor da sanguinolência, um jovem nobre chamado Farbrand, lhes contou sobre a lenda da espada de Eppes, um instrumento da justiça, que poderia dar cabo do perigoso mago.

Partiram em busca da espada e no caminho encontraram novos e antigos aliados, alguns incentivando a busca, outros preocupados que Bartuc tivesse seus próprios planos. Nas ruínas de um antigo forte, destruído pela imprudência de seu líder, eles conseguiram um mapa que os levaria pelos perigos do Mar Interior, onde supostamente a espada de Eppes estava, e um tesouro a muito perdido do deus dos viajantes. E agora, após um longo tempo na cidade de Jocaraí, a jornada continua.

A cidade de Jocaraí tinha a fama de deixar todos que passavam muito tempo nela excitados e propensos a fazer coisas estranhas. Diziam ser resultado de uma maldição lançada a anos por um mago que era dono de um bordel na cidade, e desejava que seu negócio prosperasse.

Kalinka, Azonc e Tatoom haviam ficado um mês nela e começavam a sentir os efeitos da suposta maldição, mas não pareciam se incomodar com isso. Neste período ficaram trabalhando e se preparando para a difícil jornada pelo Mar Interior.

Tatoom usou sua habilidade como artesão para esculpir pedras de mana decorativas, que apesar de não terem muito valor, eram muito requisitadas pelo feiticeiras da cidade, que podiam usá-las como ornamento nas ruas sem se preocuparem com ladrões. Ele as chamou de Pedras “de Mano”, uma referência a antigas histórias sobre andarilhos que viajavam pelo mundo antes dos tempos escuros, com adornos estranhos e espalhafatosos, com as mais diversas formas, desde um S com duas barras retas paralelas cortando-o, até as letras do alfabeto, que podiam ser usadas para decorar suas lojas. Trabalhou também com o chaveiro da cidade consertando portas e fechaduras, adquirindo algum conhecimento na arte de destrancá-las.

Azonc ajudou os comerciantes do mercado da cidade carregando suas mercadorias, aproveitando-se de sua grande força e Kalinka ficou estudando magias, a contragosto de Azonc e Tatoom, pois ela comia e pagava a taverna a custa de ambos.

Ficaram muito amigos da população local, principalmente depois das festas em homenagem ao deus da Alegria que Tatoom promovia. Estas festas, aliadas a atmosfera da cidade, pareciam potencializar os efeitos da “maldição”.

Em uma noite, enquanto bebiam na taverna Alegria da Festa, onde estavam hospedados, um dos comerciantes com o qual Azonc trabalhava entrou as pressas. Ele sabia um pouco sobre a busca deles pela lendária Espada de Eppes e quando ouviu as notícias que corriam pela região veio imediatamente contar a seu amigo. Ofegante, ele se dirigiu a mesa dos aventureiros e disse:

– Azonc, soube da morte do Jeru Malic?
– Não ouvir. Ele ser aquele mercenário sanguinolento, que lutar na guerra?
– Isso! Ele matou muitos inocentes e tinha uma recompensa pela cabeça dele. Pois bem, ele foi morto em Red Dust, por um jovem chamado Mercer, cuja a – família foi morta pelo mercenário, em um saque na sua vila natal.
– O que isso ter a ver com a gente, amigo?
– Já chego lá! Mercer matou Jeru Malic com uma estranha espada que encontrou na estrada. Quando a usou, segundo o que ele disse, se sentia invencível!

Segundo a lenda, a espada de Eppes aparecia onde e quando era mais necessária, para que um grande mal fosse reparado e a justiça fosse servida. Esta era a melhor pista que tinha do artefato até agora.

– Como você descobrir isso?
– Ha! Eu tenho um amigo que faz negócios com o pessoal de Red Dust e ele veio me contar.
– Hum… e onde jovem Mercer teria de ir para receber a recompensa? – perguntou Tatoom.
– Eu não acho que a jovem Mercer irá querer a recompensa. A única coisa que ele desejava era fazer justiça pela sua família. Mas para isso ele teria de requisitar a recompensa na guarda de Red Dust.
– Você saber onde estar jovem Mercer agora? – perguntou Azonc.
– Não, mas para ir a qualquer lugar do Reino que não sejam as Terras Devastadas, ele teria de passar por aqui, e até agora não apareceu.
– Existir alguma carava indo para lá?
– Vocês não estão aqui a tempo o bastante. A rota para Red Dust é muito perigosa, com muitos ladrões e assassinos, por causa dos ataques que os carregamentos de Gemas Estelares sofrem. Há poucas caravanas que vem e vão para aquela cidade, para garantir que elas sejam fortemente guardadas. A próxima só sai daqui a um mês.

Decididos a encontrar a lendária espada que poderia destruir o mago Slithen e pensando em obter uma das gemas estelares, decidiram seguir viajem sozinhos pela perigosa estrada, assim que os primeiros raios de sol saíssem.

Contudo Kalinka parecia desanimada, pensando em desistir de lutar contra o mago Slithen, afinal seu poder era grande demais e a elfa não queria perder a vida. Bravamente, Tatoom disse palavras que a fizeram mudar de ideia:

– Mas eu não vou deixar você morrer! Nas minhas mãos não.

Cansada dos flertes do anão, ela respondeu:

– Eu quero morrer! Vamos para o Mar Interior!
– Eu consegui! – festejou o servo do deus da Alegria.

Azonc, tornando-se a voz da razão disse:

– Amiga Kalinka, nós pensar muito claramente, se Slithen puser a mão na espada que mata as pessoas, você morrer, logo nós ter de matar ele ou pegar a espada – primeiro. Poder fazer os dois!
– Ou não! – disse o anão.
– Ou não o que?
– Ele pode tentar matar, mas a espada pode não querer. Por que a espada segue o caminho da justiça. Ele tem que ter um motivo justo para matar a Kalinka.
– Que a gente sabe, ele não ter motivo para matar Kalinka.
– Que a Kalinka sabe também! – protestou ela.
– Nós já saber que ela princesa perdida de reino de elfos. Lembrar de flashbacks?
– É, tem essa parada aí! – disse a elfa adolescente.
– Então Slithen poder ser um caçador enviado por reino de elfos para matar a princesa que pode trazer grande desgraça e destruição. Isso ser motivo justo para espada funcionar e Slithen matar ela
– O quê????? – indignou-se a elfa.
– Pensando bem, se isso ser motivo, até eu matar você. – respondeu o bárbaro, muito profundamente.
– Hum… Vamos matar ela? – disse o anão, para terror de Kalinka.

Mas em seguida, os dois se desculparam:

–  Opa, desculpa, eu não matar você! Você ser legal! – disse Azonc.
–  Verdade. Deve ser a atmosfera de Jocaraí mexendo com nossas cabeças! – completou o anão.

Aproveitaram a última noite para se despedir dos amigos e aliados que fizeram em Jocaraí. Azonc deixou vários deles sem ar com seus abraços calorosos.

A viagem até Red Dust era curta, pois ela ficava somente a um dia de cavalgada. Conversavam durante o caminho e, durante o tempo que passaram em Jocaraí, algo os incomodava: ninguém nunca havia ouvido falar do mago Slithen. Era como se ele não existisse por ali.

A paisagem começava a ficar cada vez mais tétrica e opressiva: o chão era duro e poeirento, com uma cor vermelha, as árvores eram secas e retorcidas e não se ouvia mais o barulho de nenhum animal ou pássaro. Quando a noite chegou, por insistência de Kalinka, acamparam na beira da estrada para descansar.

– Se nós formos atacados, Kalinka, é bom suas magias funcionarem! – disse Tatoom.
– Quando a culpa não é minha? – retrucou Kalinka.

Assaram alguns lagartos que capturaram naquela região e quando foram dormir, aparentemente isto não fez muito bem para a elfa, pois ela começou a roncar sonoramente, para infelicidade do anão, que teve dificuldades para dormir e acabou ficando de vigia. Tarde da noite, enquanto olhava para aquela paisagem desolada, Tatoom percebeu um orc escondido atrás de uma pedra, vigiando-os. Intrigado e com o bom-senso suspenso temporariamente, o anão disse em voz alta:

– Posso ajudar amigo?

Azonc e Kalinka acordaram com o berro do anão e a resposta que ouviram foi o orc urrando em seu idioma gutural, chamando seus companheiros para a batalha. Eles estavam cercado por quase quinze orcs!

Com golpes rápidos e selvagens Azonc derrubou vários deles, enquanto Kalinka explodia o que podia com suas bolas de fogo. Tatoom, com a força e determinação dos anões, derrubou mais alguns deles com sua espada sagrada.

Um estranho meio-orc apareceu misteriosamente no campo de batalha, auxiliando os aventureiros, mas tão rápido como veio, foi embora, deixando uma incógnita no ar. Por falta de um nome, Azonc o chamou de Igor e dizia o tempo todo:

– Igor ajudar no combate! Igor ser nosso líder agora!

Os sobreviventes fugiram apavorados e os corpos dos outros tinham poucos pertences, o que fez os heróis acreditarem se tratar de um bando de ladrões da estrada. Seguiram caminho e no começo da manhã estavam em Red Dust.

Ela era a última cidade antes das Terras Devastadas e o único lugar em todo o reino onde negociavam-se as Gemas Estelares, joias muito poderosas que armazenavam mana, a energia mágica que percorria o universo. O comércio de gemas era extremamente controlado pelo governo de Red Dust, não havendo espaço para falsificações, já que os poucos e insensatos falsários eram severamente punidos, com o exílio nas Terras Devastadas, o que significava a morte.

A cidade era cercada por espessas muralhas, feita com uma rocha da mesma cor do solo da região e suas ruas eram de terra batida. Os habitantes olhavam com desconfiança para aqueles aventureiros fortemente armados. Eles confiavam apenas nas pessoas que vinham fazer negócios na cidade e não em seus guarda-costas, que invariavelmente arrumavam alguma confusão ou tentavam roubar algum dos comerciantes. Aproveitando que estavam perto de um dos guardas, Azonc perguntou:

– Amigo-guarda-da-milicia-da-cidade, nós estar aqui procurando jovem Mercer. Ele matar mercenário sanguinário…
– Há, o Malik?
– Isso.
– Olha, agora que você falou nele, faz tempo que não o vejo por aqui. Ele costumava beber na taverna Pé Vermelho com a gente todas as noite e faz umas 2 ou 3 noites que ele não dá as caras por lá.
– Onde ele mora? – perguntou Tatoom.
– Ele não é daqui. É um representante de um dos comerciantes de gemas da capital e vinha até a cidade para fazer negócios. Ficava hospedado em dos quartos da taverna Pé Vermelho mesmo. Se ele saiu da cidade o dono dela deve saber.
– E você sabe para qual mago da capital ele trabalhava?
– Não, não conheço muitos magos de lá.

O guarda achou estranho o ataque que haviam sofrido no caminho, pois os ladrões costumam atacar normalmente os viajantes que saem da cidade com alguma coisa e não os que estão vindo. Disse também que aquele estranho meio-orc era visto de vez em quando é nos terrenos áridos. Algumas vezes ele ajudava caravanas, e outras ele atacava quem tentava conversar com ele.

Seguiram para a taverna e o mesmo olhar desconfiado da população se mantinha. Era um lugar rústico e acima da porta uma placa pendia com um pé e a inscrição com o nome da taverna. O dono do lugar estava no balcão e aparentava ter cerca de 40 anos e ser muito forte. Kalinka, adiantou-se e debruçou no balcão com os dotes que a deusa lhe deu, para extrair a informação que precisavam do comerciante, conseguindo a atenção imediata do homem.

– Estamos procurando por um um quarto. – disse ela.
– Vocês três? – disse olhando para o anão e o bárbaro.
– Um quarto para cada um.
– E um quarto para o Igor! – disse Azonc.
– Quem é Igor? – perguntou o dono da hospedaria confuso, pois não havia mais ninguém por lá.
– Igor nosso amigo que aparecer do nada e ajudar!
– Ignore-o bom homem, ele tem problemas. O irmão dele faleceu recentemente.
– Irmãozão não morreu!
– Bom… são 10 moedas de ouro por dia.
– Por que tão caro? – perguntou Tatoom.
– Com todo dinheiro que esta cidade movimenta você acha caro? Procure por aí e não vai achar lugar mais barato!

Procurando em seus bolsos lembraram de algumas pedras preciosas que encontraram a pouco tempo e entregaram uma esmeralda. O homem analisou com interesse e perguntou:

– Bela gema, onde vocês a encontraram?
– Nós não somos só aventureiros, somos comerciantes também. Nada como aprender a defender a própria mercadoria. – disse a elfa.

Impressionado pela esmeralda e pela elfa, o dono da taverna por fim cedeu:

– Olha, com uma dessas vocês conseguem uma semana de hospedagem com tudo pago.
– Legal. Ha, tem uma outra coisa que gostaríamos de saber: procuramos um rapaz. – perguntou Kalinka.
– Ele era seu namorado?
– Não, estamos querendo fazer negócios.
– O que estão vendendo?
– Na verdade estamos comprando. Viemos atrás das gemas, como todos aqui.
– Bom, vieram em uma temporada ruim. São os piores representantes comerciais que já vi, quase ninguém vende gemas nessa época. A próxima carava de Bast só vem para cá daqui a um mês. Esse jovem que procuram tem gemas ainda para vender? Qual o nome dele?
– Mercer.
– Há! O jovem Mercer. Faz tempo que não o vejo por aqui, umas 2 ou 3 noites. Aliás, é estranho, ele está hospedado aqui, mas não fechou sua hospedagem ainda.

Pediram ao taverneiro para ver o quarto onde o jovem ficara e graças a “persuação” da elfa, ele os levou até lá. O cômodo estava vazio e todo arrumado, como se ninguém tivesse dormido ali. Intrigados, pediram para ficar com aquele quarto e o dono do estabelecimento não se opôs. Tomaram banho (inclusive Azonc, sob protesto) e vasculharam o lugar sem encontrar nada. Mesmo a magia de Kalinka não revelou nada.

Quanto se preparavam para sair, alguém bateu na porta. Era Edgar, o taverneiro, que ficou perturbado com a estranha cena: um bárbaro sem camisa abrindo a porta, o anão fechando o cinto e a elfa sentada na cama lendo seu grimório (o que fez Kalinka pensar que deveria ter ficado com um quarto só para ela).

– Hã… eu trouxe o almoço de vocês.

Um pequeno carrinho de madeira, com um prato de carne e alguns legumes foi colocado no meio do quarto, então disse:

– Quase me esqueço. Vocês disseram que vieram atrás das gemas e estive pensando, mesmo não sendo a época de negociação delas, existe alguém que pode ajudá-los. Já ouviram falar de Tom Darkko?
– Não.
– É que como vocês são estrangeiros, achei que tivessem ouvido falar dele. A família Darkko é uma das mais antigas famílias daqui a lidar com o comércio das gemas. A uns vinte anos a família de Tom foi morta em um acidente estranho, lá em Bast, enquanto negociava com um minerador. Depois disso ele sumiu da cidade e andou por todo Reino, e recentemente ele voltou a cidade. Se alguém tem gemas neste momento é ele, pois sempre teve um bom estoque. Além disso, como a casa dele tem a fama de ser assombrada, poucos ladrões tiveram coragem de entrar lá neste anos. Basta seguir a rua principal até o limite da muralha. A casa dele é a última.
– Alguma notícia do jovem Mercer? – perguntou Tatoom.
– Não, mas alguns comerciantes que conversaram com ele após a morte do Malic, disseram que ele fez um bom negócio, e dizem que o tal negócio que ele fez foi com o Tom Darkko, segundo meu cozinheiro.
– Por acaso ele não comprar espada? – perguntou Azonc.
– Não, nunca o vi usar armas. A única vez em que isto aconteceu foi quando matou Malik e ele disse que encontrou na estrada, mas ela desapareceu logo depois. – Foi até um pouco estranho…
– Por que?
– Ele chegou na cidade com aquela espada e o Malik estava aqui, coberto com um capuz. Mas o jovem o reconheceu mesmo assim. Eles lutaram e o Mercer o matou, no que muitos atribuíram um golpe de sorte, pois o mercenário era muito mais habilidoso que ele. Talvez alguém da milícia possa dizer o que aconteceu com a arma. Não lembro dele estar com a espada quando veio aqui, naquela noite.
– Nós agradecer a informação, você ser muito gentil! – Disse Azonc abocanhando um pedaço de carne.

O taverneiro então saiu. A elfa queria de qualquer jeito ir para a casa assombrada e teve de ser convencida por Tatoom e Azonc a comer antes. Ela disse que iria falar com o cozinheiro, enquanto Azonc e Tatoom iam até o posto da guarda, mas eles deveriam esperá-la para ir até a casa assombrada!

Adamastor, o cozinheiro não sabia de muito mais, somente que o jovem Mercer não quis a recompensa, doando para a caridade (ele disse isso com pesar). Disse também que Tom Darkko tornara-se uma pessoa estranha depois da morte de sua família (parecia que algo estranho havia saído debaixo da terra e devorado todos eles), mas não o achava perigoso. Ela se dirigiu até a milícia para encontrar seus amigos.

Enquanto isso, na posto da milícia, estavam Azonc e Tatoom.

– Olá, Sr. Milícia, tudo bem?
– Hã… tudo?
– Mim falar algo errado?
– Não.
– Mim não saber forma respeitosa de chamar Milícia, qual ser seu nome?
– Hã… Homer.
– Guarda Homer, nós ter algumas perguntas pra fazer. Vocês prender o jovem Mercer depois que ele matar Malik?
– Por que deveríamos prendê-lo? Tinha uma recompensa pela cabeça do Malik.
– Hum… verdade.

Tatoom então intercedeu:

– É que nós temos alguns negócios para tratar com ele, e gostaríamos de encontrá-lo.
– Faz tempo que não o vejo, desde a morte do Malik.
– É que da última vez que encontramos o jovem Mercer, emprestamos uma espada para ele, que disse que ia fazer algum negócio na cidade. Vocês por acaso estão com ela?
– A espada que ele encontrou no meio do caminho? Não me lembro, deixe-me ver… Eu acho que ele entregou a espada para o Tom Darkko, que estava no meio da multidão. Foi até um pouco estranho ver ele, pois desde a última vez que o vi, quando eu era criança, ele não parece ter envelhecido muito e está com uma aparência estranha, mas foi tudo muito rápido. Quanto ao jovem Mercer, eu o vi a duas ou três noites atrás no Pé Vermelho, mas não lembro de vê-lo sair.
– Onde poder achar Tom Darkko?
– Na casa dele. Dizem que ele foi direto para lá assim que chegou.
– E o corpo do Malik?
– Foi enterrado como indigente no cemitério.

Quando voltavam para a taverna, encontraram Kalinka no caminho, impaciente:

– Vamos!
– Pra onde? – perguntou o anão.
– Para casa do Tom Darkko!
– Pra quê?

Kalinka virou-se bufando e começou a seguir pela rua principal, com Azonc e Tatoom rindo as suas costas.

– Por que ela sempre faz isso?
– Ela ser muito tempestuosa.
– Por que, chove nela?
– Não saber, essa palavra aparecer na minha cabeça. Acho que irmãozão disse isso alguma vez.

Seguindo pela rua principal, perceberam que as casas de comércio iam rareando, dando lugar a residências opulentas, que pertenciam aos comerciantes mais ricos. No final, havia uma casa cercada com um muro de 5 metros e um portão duplo de madeira maciça, entreaberto. No interior, havia uma grande casa térrea, simples e sem ornamentos na fachada. Tatoom jurava que aquela construção era trabalho de anões pela sua qualidade. Kalinka, bateu palmas e chamou:

– Tom… Sr. Darkko… Oh, de casa!

Sem resposta eles passaram pelo portão, e ao chegarem na porta da casa, ela se abriu sozinha. Kalinka chamou novamente, mas como ninguém falou nada, entrou.

Uma grande sala podia ser vista na penumbra, com vários móveis e quadros cobertos com panos brancos cheios de poeira, assim como os livros das estantes. Há anos ninguém pisava na sala de entrada da casa da família Darkko.

No fundo da sala, havia uma porta que parecia levar mais para o interior da casa. Enquanto decidiam o que fazer, a porta de entrada da casa fechou-se sozinha e a outra se abriu com um rangido.

Ela levava a uma sala de leitura, com algumas poltronas e mesas com livros, além de três portas, uma em cada parede. Tatoom, disse:

– Sabe o que me intriga. As estantes com livros estão a merce do tempo, mas os quadros estão cobertos…
– Nossa… – disse Kalinka, que voltou correndo para o hall de entrada e puxou os panos dos quadros.

Várias pinturas de diversas gerações da família Darkko adornavam as paredes. Reuniu-se a seus amigos e decidiram abrir a porta da esquerda da sala de leitura. Entraram em um pequeno quarto, com pouca mobília e uma janela fechada com tábuas. Caído na cama, sem um lençol para cobri-lo, havia um quadro, com a face do mago Slithen pintada, parecendo mais novo.

A expressão de terror nos olhos de Kalinka era visível, então Azonc tentou acalmá-la:

– Calma, Kalinka, calma…
– Ele está com a espada!
– Nós saber. Agora nós saber que Tom Darkko ser Slithen e ele estar com a espada justiceira.

Aprisionados na casa de seu inimigo, continuaram explorando em busca de uma saída. A porta do lado oposto leva a um quarto abandonado, que pertencera a uma criança. A porta frontal, leva a uma sala de jantar, com diversas janelas seladas e uma grande mesa no centro. Em uma das paredes uma porta levava a cozinha e quando Azonc entrou, percebeu algo pequeno se movendo nas sombras, próximo ao chão.

Entraram com cuidado e notaram que mais daquelas “coisas” se moviam no chão imundo do cômodo. De repente algo pulou em cima de Kalinka, e quase a elfa não conseguiu desviar.

Ela viu um pequeno crânio descarnado com oito patas de aranha. Outras das criaturas grudou na cabeça de Azonc e mais uma mordeu o pé de Tatoom. A mordida da criatura parecia ignorar a armadura do anão, fazendo ele sentila. Com golpes simples eles se livraram dos monstros, que morriam facilmente em uma poça de gosma verde. Olhando pela cozinha, eles viram montes daquelas criaturas saindo de um buraco na parede em dos cantos, próximo a outra porta. Com dificuldade, eles saíram e selaram a cozinha, deixando as criaturas arranhando a porta.

Kalinka pensou em se transformar em fogo para que pudesse entrar na sala e destruir as criaturas. Quando tentou usar seu encantamento, ela sentiu como se o seu poder tivesse sido sugado, deixando-a exausta. Além disso, seu corpo não se inflamou, ficando apenas aquecido.

Usando sua força, Tatoom e Azonc arrebentam as tábuas de uma das janelas, mas atrás dela havia uma parede de tijolos. Continuaram arrebentando outras janelas, mas não parecia haver uma que não fora emparedada. Azonc lembrou-se então do martelo de pedra que havia pegado de um gigantes derrotado a tempos atrás e usando toda sua força, derrubou uma das paredes, revelando um jardim mal cuidado com uma fonte seca bem no meio, fazendo quebrar-se em pedaços.

A fonte era feita de uma pedra cinza, coberta com muito musgo e sujeira. No meio dela, havia um buraco com uma escada em espiral que descia para as profundezas, com uma inscrição próxima a ela. Kalinka, apesar de não entender o que estava escrito, reconheceu os símbolos: eram os mesmos que estavam na fonte do demoníaco guardião do templo próximo a Carr-Rott.

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